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Volta Redonda: Números da pandemia de COVID-19

Fábio Rossi

Mestrando do PPGIHD-IM-UFRRJ

Volta Redonda é o maior município do Sul Fluminense (ou ainda, da Microrregião do Médio Vale Paraíba Fluminense)[1] em população, com 260.180 (duzentos e sessenta mil e cento e oitenta) habitantes (PMVR, 2020[2]), numa área de 182, 483 km², resultando em uma densidade demográfica de cerca de 1.412 hab/km² – São João de Meriti, na Baixada Fluminense, por exemplo, apresenta uma densidade demográfica de mais de 13.000 hab/km²! O PIB (Produto Interno Bruto) é de R$ 10 322 954,65 mil, e um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,771 (IBGE, 2015[3]).


Volta Redonda é, neste momento, o município do interior com o maior número de casos confirmados de contaminação pelo Covid-19: 112 (cento e doze) até a elaboração deste texto, e 7 (sete) mortes também confirmadas. O que, incialmente, explica este fato?



Em Volta Redonda, cidade “cercada de “morros”[4], as pessoas frequentam as mesmas ruas, causando aglomerações diárias de transeuntes em bairros como Vila Santa Cecília, Centro, Aterrado e Retiro. Não obstante, o município abriga as instalações da Usina Presidente Vargas e outras áreas pertencentes à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que historicamente centraliza as dinâmicas urbanas da população local. Atualmente, este centro se consolidou como importante polo regional de serviços e postos de trabalho.

Volta Redonda é um município historicamente industrial, recebendo mão-de-obra diária de localidades vizinhas ou até mesmo distantes, aumentando o fluxo diário de pessoas. É uma cidade bastante movimentada, que obriga a todos terem extremos cuidados em relação as suas ações contra a pandemia da Covid-19 e seu contágio. Ressalte-se também que Volta Redonda possui renda per capita significativa, de R$ 1.043,69, que revela uma população mais abastada que, como afirmado em postagens anteriores, se torna o primeiro grupo de contaminados[5].

Segundo o Plano de Contingência divulgado pela Prefeitura[6], Volta Redonda possui em sua rede pública municipal trezentos e cinquenta e quatro leitos hospitalares, assim divididos:



Fonte:https://new.voltaredonda.rj.gov.br/images/2020/COVID-19/Plano_Contigencia.pdf.

A OMS recomenda aos municípios o mínimo de três leitos para cada mil habitantes. Com os números apresentados acima, Volta Redonda possui 1,36 leitos para cada mil voltarredondenses. Fazem parte da contagem do Plano de Contingência os leitos criados em hospitais de campanha para atender somente os pacientes com necessidades de internação devido ao Covid-19, totalizando cem leitos para este fim. Com todos os leitos disponíveis no município (354+100), o sistema de saúde municipal passará a contar com 1,74 leitos para cada mil voltarredondenses, o que ainda lhe mantém muito longe do recomendado pela OMS. O Hospital Regional Dra. Zilda Arns, de administração do Governo do Estado, disponibiliza cento e oitenta leitos para os casos de Covid-19, porém, pacientes de localidades mais distantes, como os municípios da Baixada Fluminense, estão sendo internados neste local[7].


O município, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Secretaria Estadual de Saúde, adotou o regime de quarentena no dia 14 de março, ordenando o fechamento do comércio (salvo exceções e possibilidades de flexibilizações) e o confinamento em domicílio. Adotou também regras para o acesso aos estabelecimentos que funcionam (mercados, farmácias, oficinas mecânicas, etc) como número limitado de pessoas no interior do local, proibição de menores de 12 anos no local, horário de funcionamento reduzido; revogou a lei do transporte gratuito municipal dos idosos; proibiu o acesso ao município de ônibus de viagens; instalou barreiras da Guarda Municipal em conjunto com a PMERJ nos principais acessos da cidade, proibindo veículos de outros municípios de circularem em Volta Redonda, entre outras medidas que mudam de acordo com a necessidade.


Mesmo com este cenário, existe uma movimentação de alguns grupos questionando as atitudes da prefeitura em relação à quarentena, exigindo a reabertura do comércio e o isolamento vertical, onde somente pessoas dos grupos de risco ficariam isolados. Porém, em um município onde, segundo o Censo 2010 indicou 32.618 (trinta e dois mil seiscentos e dezoito) idosos há que se ampliar os cuidados.

Além disso, não se sabe ao certo o número de pessoas com doenças respiratórias devido ao ar altamente poluído. A cidade tem grande número de pessoas impactadas por doenças respiratórias e alérgicas devido à contaminação atmosférica oriunda da CSN, e o desconhecimento de pessoas que se encaixam nos demais grupos de risco. Dado aos fatos apresentados e sabendo da força da contaminação do Covid-19, se torna fato o colapso do sistema de saúde. Permaneceremos atentos à cidade, que neste momento, está apenas atrás da capital e de Niterói em número de infectados.

[1] O interior do estado do Rio de Janeiro é compreendido por todos os municípios que não fazem parte da Região Metropolitana. Desta forma, o interior é composto por setenta e seis municípios divididos em sete regiões: Noroeste, Norte, Baixadas Litorâneas, Serrana, Centro-Sul, Costa Verde e Sul Fluminense, onde se localiza a cidade de Volta Redonda. [2] Fonte: https://new.voltaredonda.rj.gov.br/8-interno/11-caracteristicas. [3] Fonte: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rj/volta-redonda/panorama. [4] Na microrregião do Médio Vale do Paraíba, formada pelo relevo conhecido como Mar de Morros – que possuem o formato de "meias-laranjas" –, emergiu uma organização espacial onde os centros comerciais e as indústrias estão instaladas nas partes mais planas. [5] Consultar, neste mesmo portal, “COVID-19 na Baixada Fluminense: O tsunami se aproxima”, por Alexandre Fortes e Leandro Dias de Oliveira, disponível em: https://www.ppgihd-open-lab.com/post/covid-19-na-baixada-fluminense-o-tsunami-se-aproxima. [6] Fonte: https://new.voltaredonda.rj.gov.br/images/2020/COVID-19/Plano_Contigencia.pdf. [7] Fonte: https://destaquepopular.com.br/2020/04/12/hospital-regional-recebe-pacientes-com-coronavirus-do-rio-e-baixada-fluminense/.

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© 2020 por PPGIHD-UFRRJ

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