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Fake news e COVID-19


Thiago Costa, Mestrando do PPGIHD


Jamais diga uma mentira que não possa provar.

Millôr Fernandes

Entende-se por fake news as notícias falsas publicadas e veiculadas por meios de comunicação como se fossem informações verdadeiras. Tais notícias, em sua maioria, são divulgadas a fim de legitimar determinada opinião ou de prejudicar um indivíduo ou grupos de pessoas, especialmente figuras públicas. Ressalta-se, todavia, a rapidez com a qual elas se espalham e o poder viral que carregam consigo, visto que uma de suas características principais é o apelo emocional feito ao leitor/espectador, que, por sua vez, de maneira automática, consome este material e em muitos casos o compartilha sem verificar a veracidade de seu conteúdo. Embora este compartilhamento de informações enganosas seja prejudicial inclusive à saúde das pessoas, isso não diminui os inúmeros acontecimentos, inclusive políticos, que só se tornaram possíveis a partir das fake news, comprometendo ainda as ações de prevenção.



Em se tratando da recente pandemia que o país enfrenta, assim que surgiram as primeiras informações sobre o novo coronavírus, uma infinidade de conteúdos enganosos foram publicados e compartilhados na Internet por meio de vídeos, áudios e imagens de redes socias e aplicativos de mensagens como Facebook, Instagram, Whatsapp e Telegram, respectivamente. Dada a seriedade deste assunto, é fundamental sinalizar a necessidade de combater as notícias falsas e munir os cidadãos com informações verdadeiras.

Para evitar que elas continuem a ser compartilhadas, a população deveria ter acesso à educação digital. Neste sentido, faz-se necessário mencionar que já há leis que estabelecem os padrões a serem observados na disseminação de conteúdo na Internet. , A lei 12.965/14, mais conhecida como Marco Civil da Internet estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Dentre os dispositivos que a respectiva lei apresenta é importante destacar o de dever da educação, o qual aponta o dever constitucional do Estado na prestação da educação de acordo com o artigo 26:

“O cumprimento do dever constitucional do Estado na prestação da educação, em todos os níveis de ensino, inclui a capacitação, integrada a outras práticas educacionais, para o uso seguro, consciente e responsável da internet como ferramenta para o exercício da cidadania, a promoção da cultura e o desenvolvimento tecnológico.”

Há diversas medidas que podem evitar que estas notícias sigam circulando de maneira descontrolada na sociedade. Vejamos abaixo algumas orientações para identificar um conteúdo enganoso:


1. DESCONFIE DAS INFORMAÇÕES

Notícias cujas expressões possuem tom sensacionalistas de cunho apelativo tendem a ser falsas, principalmente aquelas que oferecem soluções milagrosas como, por exemplo, no caso do COVID-19, receitas de bebidas milagrosas e receitas caseiras que poderiam acabar com o novo coronavírus. Desconfie de expressões como: “inacreditável”, “impressionante”, “não querem que você saiba disso”, “foi revelado o segredo” e outras semelhantes. Logo, evite clicar em links suspeitos que prometem produtos gratuitos, pois pessoas que agem de má fé acabam aproveitando-se destes momentos para aplicar golpes virtuais.

2. OBSERVE SE HÁ EXAGEROS

Uso exagerado de exclamações, textos escritos totalmente com letra maiúscula, inúmeros recursos gráficos, e textos com muitos deslizes gramaticais e ortográficos já revelam o cunho não profissional do trabalho dado ao texto e, portanto, são indícios fortes de fake news.

3. CHEQUE AS FONTES

Verifique a origem das informações, ou seja, se elas foram publicadas em outros veículos de informação, em outros sites, como páginas de órgãos oficiais que tratam do assunto. A respeito do COVID-19, consulte sites como do Governo Federal, Governo do Estado, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Dizer que o texto foi escrito por um profissional que trabalha na área ou em determinado hospital é um recurso utilizado para tentar legitimar a notícia, porém é insuficiente para considerar a fonte segura, pois é preciso pesquisar o nome e confirmar se determinado profissional de fato existe, e se aquela declaração foi feita por ela. Outro fator importante é atentar para a data de publicação dessas informações, uma vez que é muito comum o resgate de notícias antigas que, descontextualizadas, levam a população ao engano.

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