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COVID-19: Isolamento afrouxa e casos na Baixada Fluminense disparam

Prof. Alexandre Fortes


O acompanhamento diário que realizamos dos dados sobre a evolução do número de casos confirmados e de óbitos por COVID-19 em cinco áreas da cidade do Rio de Janeiro e nos municípios da Baixada Fluminense indica, mais do que em qualquer momento anterior, uma tendência acentuada de agravamento.


Agrupando os dados sobre casos novos por semana epidemiológica, percebemos que, enquanto no início de maio, o ritmo de crescimento da pandemia havia caído, o afrouxamento verificado posteriormente já se reflete numa retomada, em ritmo mais acelerado do que antes, do crescimento do número de casos, particularmente na Baixada, na AP3 (Zona Norte, exceto Grande Tijuca) e na AP5 (Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, etc.).


No dia de hoje, 18 de maio, verifica-se uma explosão do número de casos confirmados na Baixada Fluminense, que saltaram de 3.747 para 5.259, um aumento de 40% em 24 horas. Esse salto concentrado em um único dia certamente se deve ao represamento de testes em processamento, mas indica também que a tendência de alta já verificada no período anterior estava subdimensionada até então.



Em relação ao número de novos óbitos, as duas últimas semanas epidemiológicas já demonstram redução na AP2 (Zonal Sul e Tijuca), aumento expressivo na AP5 e na Baixada e, de forma ainda mais intensa, na AP3.


É importante destacar que o crescimento do número de novos óbitos nessas áreas na 20a semana epidemiológica ainda reflete um aumento modesto no número de casos quinze dias atrás. É provável que daqui a duas ou três semanas o crescimento muito mais expressivo dos casos na 20a semana e o registro de uma aceleração ainda mais intensa já no início da 21a gerem um salto muito maior no número de óbitos nessas áreas.



Isso indica a migração do epicentro da pandemia na região metropolitana de áreas com uma qualidade de vida que pode ser sintetizada no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 0,956 de Copacabana, o bairro que ainda concentra o maior número de casos e óbitos, para outras com IDH abaixo de 0,750, como muitos bairros da AP3 (Maré, Complexo do Alemão, Jacaré, Parada de Lucas, Manguinhos, Acari, etc.) e da AP5 (como Santa Cruz), assim como para os municípios da baixada, onde o IDH vai de 0,753 (Nilópolis) a 0,659 (Japeri).


Essa combinação do ritmo acelerado de crescimento da pandemia com a precariedade estrutural das condições de habitação, saneamento e de acesso a serviços de saúde nas áreas mencionadas é absolutamente explosiva.


É fundamental reforçar as medidas de isolamento social, higienização e planejamento de reforços aos serviços de saúde enquanto ainda há tempo.


Não há dúvida. O pior ainda está por vir.

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