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A matemática poderá salvar a sua vida durante a pandemia!

Prof. Sérgio Manuel Serra da Cruz

Depto de Computação, UFRRJ


Em recente texto publicado por Clarissa Thompson e colegas no site no site the conversation, há a exploração de um fato corriqueiro que até agora foi pouco explorado tanto na mídia quanto na academia. As pessoas que não entendem os fundamentos da matemática podem estar negligenciando o real perigo do COVID-19 tanto para sua própria saúde como para a sociedade em geral.

Os autores apontam para o problema conhecido como "viés de números inteiros". O viés acontece quando as pessoas tendem a pensar automaticamente nos numeradores e denominadores de frações como números inteiros antes de processar os números mais profundamente para entender seu real significado. Por exemplo, as pessoas tendem a acreditar erroneamente que 1/14 é menor que 1/15 porque 14 é menor que 15. Ou seja, aplicam o que sabem sobre números inteiros a todos os outros números, incluindo frações.





Por que isso importa?


Na vida cotidiana, as pessoas são apresentadas aos números, incluindo frações, e solicitadas a dar sentido a eles. Quando se trata de estatísticas de saúde, a interpretação incorreta dos números pode levar a consequências negativas como, por exemplo, subestimar a mortalidade do COVID-19. Os noticiários são repletos de estatísticas sobre à pandemia. Muitas dessas estatísticas envolvem índices que são difíceis de entender. Além disso, os autores ressaltam um outro problema, a ansiedade matemática - um sentimento de apreensão quando se trata de matemática – que leva as pessoas a optarem por evitar completamente ou deixar de pensar profundamente sobre o significado dos números encontrados no dia a dia. Por exemplo, no início da pandemia, havia várias histórias que apontavam que a gripe era mais mortal que o coronavírus. O próprio presidente Donald Trump fez essa afirmação várias vezes. Outro exemplo recente, o presidente estadunidense afirmou que seu pais testou mais pessoas para o COVID-19 do que em qualquer outro lugar do mundo. Embora isso possa ser verdade em termos de números absolutos, isso não leva em consideração o total da população e a densidade da população de outros países. No outro extremo está o Brasil. Nosso país realiza poucos testes e possui uma população muito grande.


Qual o tamanho do risco que enfrentamos?

Para descobrir isso, acreditamos que você deve comparar o número de mortes por COVID-19 com o número total de pessoas infectadas. Ambos os números são atualizados diariamente por uma equipe de pesquisadores da Universidade Johns Hopkins. Em seguida, compare essa taxa de mortalidade com as taxas de mortalidade de doenças mais familiares, como por exemplo a gripe, atualizada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Assim, você perceberá o tamanho do risco que você e sua família correm.


Comparando taxas de fatalidade

Se você quiser calcular o quão mortal essa pandemia é quando comparada à gripe, você precisa dividir o número de mortes causadas pelo COVID-19 pelo número total de pessoas infectadas por ele. Lembre-se de que é quase-impossível saber o verdadeiro denominador ou o número total de indivíduos infectados em meio a uma pandemia, porque esses números mudam diariamente e os testes ainda são muito limitados.

Baseamos nossas estimativas de mortalidade em dados de 2 de abril. Com base nas estatísticas da Johns Hopkins, a taxa de mortalidade do COVID-19 é de 5% (49.236 mortos, dividida por 965.246 casos). Atualmente, a taxa de fatalidade da gripe de acordo com o CDC é de 0,1% (62.000 mortos dividido por 54.000.000 de casos). Reserve alguns segundos para digerir esses cálculos.

Ou seja, em 2 de abril de 2020, a taxa de mortalidade do COVID-19 quase 50 vezes maior que a taxa de mortalidade da gripe - uma diferença drástica, mas que pode mudar ao longo do tempo à medida que mais dados se tornam disponíveis. Por causa dessas incógnitas, a taxa de fatalidade variará, até poderia ser menor porque muitas pessoas infectadas não foram testadas imediatamente ou mesmo oficialmente diagnosticadas. Embora seja muito cedo para dizer exatamente o quanto a COVID-19 será mais letal do que a gripe. É importante observar que pesquisadores de todo o mundo encontraram uma ampla gama de estimativas para a taxa de mortalidade do COVID-19, o que permanece incerto e sob muito estudo.


Conclusão

Para reduzir o viés de números inteiros, os autores recomendam que todos devem considerar se o numerador e o denominador de uma fração foram relatados ou se um ou outro foi apresentado isoladamente. Isso pode ajudar as pessoas a evitar cometer o erro do viés dos números inteiros. Os autores também destacam a necessidade de fazer com que todas as pessoas levem essa pandemia a sério e tomar todas as medidas de precaução. Eles finalizam o texto ressaltando que a correta compreensão da matemática poderá salvar muitas vidas. Para saber mais clique aqui (https://theconversation.com/math-misconceptions-may-lead-people-to-underestimate-the-true-threat-of-covid-19-134520).

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